sábado, fevereiro 11, 2006

POR AMOR DE DEUS

A polémica à volta dos cartoons continua. Há mesmo quem diga que foi iniciada mais uma guerra de civilizações. Talvez. Enquanto que do outro lado se reacendeu o ódio e a violência, por cá vamos discutindo sobre a liberdade de expressão. Diga-se em abono da verdade que também não é uma discussão recente nem tão pouco pacífica. No entanto não é raivosa nem sanguinária. Diria que é certamente mais civilizada. É salutar que se debata sobre o sentido de oportunidade e as razões da publicação dos “bonecos” desenhados no papel. Já muito se escreveu e disse sobre o assunto. As opiniões estão bastante divididas mas não é por esse facto que o pessoal se anda para aí a matar uns aos outros. Já lá vai o tempo que por causa da religião o ocidente cometeu grandes atrocidades. Conseguimos melhorar e felizmente ultrapassar essa fase.
Talvez a publicação dos cartoons tenha sido despropositada, não sei, talvez tenha sido de mau gosto, não sei, talvez tenha sido aproveitada, quase de certeza que o foi, mas não sei, talvez tenha sido ofensiva para os fundamentalistas, com toda a certeza mas, mesmo aí não sei até que ponto estes estejam preocupados com a imagem de Maomé e antes procurem aqui um bode expiatório para justificarem sei lá o quê, a opressão, os negócios, a estupidez, sinceramente, não sei.
Sabemos que também vivemos numa sociedade de cinismo e egoísmo, de graves injustiças e quanto à liberdade de expressão, ainda e cada vez mais, deixamos muito a desejar. Não nos venham agora também com aquela musica de que há liberdade, claro que há alguma, sabemos disso, mas sabemos também que há censura e mais grave do que isso, há bastante auto censura nas empresas de comunicação social. Quantos jornalistas receiam escrever sobre o que se passa nas empresas ligadas ao grupo económico que detém a sua estação de televisão, a sua rádio ou o seu jornal e que cada vez mais concentram em si a maioria dos órgãos de informação? Que levante a mão o primeiro órgão de comunicação social que seja totalmente livre. Sabemos é que de variadas formas podemos discutir sobre tudo isto. Não podemos é autorizar que outros com o seu espírito fascizante, venham lá de onde vierem e como vierem, nos imponham regras de conduta que já há muito descobrimos não nos servir. Vertemos muito sangue na procura e na conquista de condições dignas de vida. Verteremos mais se for preciso lutar de novo para não regressarmos ao passado negro. Por isso revolta-me que, agora países como a Dinamarca e a Noruega, peçam perdão por serem dos países mais livres, solidários e desenvolvidos do mundo. Perdão porquê? Por permitirem que as crenças religiosas sejam livres nos seus países? Por não serem racistas? Por as suas mulheres poderem andar na rua de cara destapada e conduzirem automóveis? Por as pessoas poderem votar em quem quiserem sem sofrer represálias e perseguições? Por serem sociedades abertas e democráticas? Por tantas razões. Façam regressar os vossos compatriotas, fechem as vossas embaixadas, suspendam os vossos negócios, peçam perdão a Deus e a Maomé mas NÃO PEÇAM DESCULPAS a quem não quer perceber ou aceitar que somos diferentes e mais livres que eles senão, tudo vai por água abaixo.

5 Comments:

Blogger Fernando B. said...

Uma análise excelente. Estamos na mesma onda.

Obrigado pelo elogio quanto aos temas musicais que escolho.

Fraternas Saudações.

2:15 da manhã  
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