sábado, abril 01, 2006

ESTABELECIDOS E ESQUECIDOS

Os recentes acontecimentos verificados em França são para os verdadeiros democratas um sinal de esperança de que nem tudo está inerte na defesa de valores fundamentais de uma sociedade moderna que deve sempre procurar aperfeiçoar os seus sistemas de justiça.
A tal lei do CONTRATO DO PRIMEIRO EMPREGO promulgada pelo Presidente Jaques Chirac pode até gerar mais emprego não qualificado mas vai com certeza criar muito mais exploração e consequentemente mais injustiça. Os patrões sentem-se cada vez mais à vontade para explorar e despedir sem qualquer razão enquanto os jovens, para garantir um mínimo de subsistência a troco de uma esmola, terão que ser cumpridores de todo o tipo de ordens e sujeitos à prepotência das suas chefias. Sabem perfeitamente que, à mínima reclamação ou reivindicação estarão imediatamente a seguir no olho da rua. Esta é a lei do Paraíso do patronato. A juventude apesar da luta travada saiu derrotada, a lei foi aprovada mas o poder foi avisado que um dia a “coisa” pode ser muita mais séria e dramática. E vai ser. Depois não se venham queixar dos actos de terror e vandalismo.
Até aqui nada de novo. Os patrões são o que são, os políticos estão cada vez mais dependentes das pressões dos grupos económicos. Quanto aos restantes, a grande massa, uns vivem atemorizados e enganados aceitando todo o tipo de sacrifícios na esperança de que os mesmos lhe garantirão um futuro melhor, futuro esse que nunca chegará, enquanto outros ainda “estrabucham” quando podem.
Restam os “palhaços da corte”. São os que andam por aí escrevendo ou comentando numa “coisa” a que chamam de comunicação social. Não são ricos, não são pobres mas, são parvos e ingratos. Vão defendendo o “status quo” atacando o sistema que os protegeu e os sustentou. Graças à luta de muitos ao longo da história e com o sacrifício da própria vida, eles adquiriram direitos, foram sempre protegidos de uma ou de outra forma pela mão do Estado, beneficiaram com a implantação das democracias, estabeleceram-se na vida e hoje são incapazes de perceber o rumo dos acontecimentos, as injustiças, a exploração, a demagogia. Puseram-lhes uma caneta ou um teclado de computador nas mãos, a outros um microfone ou uma câmara à frente, pagam-lhes para isso, começaram a ser famosos e conhecidos pelo público e a partir daí tornaram-se nuns verdadeiros “filhos da puta”.

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  • A MEMÓRIA QUE NÃO SE APAGA