sexta-feira, março 13, 2009

BLOQUEADOS

O Bloco de Esquerda naquela ânsia de querer ser sempre diferente entendeu não apresentar cumprimentos ao Presidente do Estado Angolano quando este visitou a nossa Assembleia da Republica alegando a violação dos direitos humanos na ex-colónia portuguesa. Fica-se com a sensação que o BE se quis colocar em bicos de pés para se fazer notar. O BE pode sempre denunciar, e só lhe fica bem continuar a fazê-lo, qualquer violação de direitos humanos em qualquer parte do mundo. No entanto e, sem abdicar dos seus princípios, deve em primeiro lugar pensar na melhor forma de o fazer. Em primeiro lugar, o BE deveria perceber que a Assembleia da República recebeu o Estado angolano e não apenas o seu Presidente. O Estado angolano é também constituído na sua essência pelo seu povo, o mesmo povo que os portugueses colonizaram durante 500 anos privando-o dos seus direitos mais básicos. No futuro, nos registos da história dos dois povos, perdurará eternamente a longa colonização portuguesa e não esta medida radical do BE. Para além de tudo o mais, esta mania de querermos dar aulas de democracia aos outros tem muito que se lhe diga. Somos também nós um povo que desfruta de todas as suas liberdades ou de um regime sem mácula?
Se o BE não pretende ser apenas um movimento de protesto na sociedade portuguesa mas sim uma possível alternativa, deve pensar bem nas consequências das suas actuais iniciativas. Não vale a pena sequer referir o que seria a relação entre Estados caso o BE viesse a fazer parte de um eventual governo português. Talvez não conseguisse dialogar e manter relações diplomáticas com a maioria dos países mundiais. Ficaríamos uma vez mais orgulhosamente sós. Estão já 100 mil portugueses em terras angolanas que querem relacionar-se e cooperar com o povo angolano e é isto que o BE deveria analisar em primeiro lugar em vez de andar por aí a dar tiros de pólvora seca.

1 Comments:

Blogger .POTT said...

Adoro os ingénuos.E procuro-os nas minhas vagabundagens;mas encontro poucos;as criaturas excepcionais tornaram-se tão comuns, que encontrar uma mulher comum é caso rarissimo ;todas tomam ares complicados,de cépticas.Os cépticos divertem-me por um momento;mas,depois do primeiro paradoxo não os tolero mais: o cepticismo parece-me ingenuidade mascarada, parece-me o alibi da ignorancia, e dá-me tanta pena como a miséria de casaca.Gosto dos ingénuos, dos primitivos,dos simples,que leem presságios nas bolinhas do café,decifram o destino nas linhas da mão e ouvem o mugido dos oceanos no concavo de um búzio.Não posso suportar certas damas que ,ouvindo-as,julgamos que têm almas espirálicas ,psiques labirinticas, a tragédia de serem incompreendidas.E,no fundo,são umas pulhas.
Simpatizo por instinto com as minorias,com os fracos,com os que têm culpas,são tantas as pessoas que têm razão.

9:58 da manhã  

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