ENTRE AS BRUMAS...
Sinto-me também culpado por alguns males do mundo mas não pela sua grande desgraça.
domingo, dezembro 31, 2006
sábado, dezembro 30, 2006
2006, FIM DE ANO

Os que partiram merecem a primeira referência. Comecemos pelo mais alto Magistrado da Nação. Jorge Sampaio, aquela “coisa mole” que passou pelo Palácio de Belém. Acabou o “reinado” a distribuir medalhas pela “malta” toda. Demorou a “correr” com Santana Lopes mas aguentou Souto Moura que fez merda de todo o tamanho enquanto Procurador Geral da República, transformando o caso do envelope 9 num 31 e levando as pessoas a concluírem que a justiça em Portugal se havia transformado num autentica “palhaçada”. Bola, justiça e corrupção estiveram na ordem do dia. O relativo sucesso da selecção portuguesa no Mundial da Alemanha a juntar às boas exibições de técnicos e jogadores nacionais no estrangeiro, não conseguiram esconder a podridão que paira no futebol nacional e que teima em manter-se enquanto por lá andarem, Gilberto Madaíl e apaniguados, os Loureiros e a maioria dos dirigentes dos clubes desportivos. Foi preciso que duas mulheres se infiltrassem no mundo futebolístico para fazer renascer a esperança. Carolina, ex-companheira de Pinto da Costa “meteu a boca no trombone” e contou em livro tudo o que deveria contar e também não contar e, Maria José Morgado que foi “recuperada” pelo actual Procurador para descobrir a verdadeira cor do “Apito” que parece durar desde os primórdios da revolução.
2006 é o ano que marca o fim das maiores conquistas e direitos dos trabalhadores portugueses que o governo de José Sócrates, com o alto patrocínio do novo Presidente da Republica, Cavaco Silva, entendeu e insiste em chamar-lhes “privilégios”. A incompetência e a falta de colaboração na investigação prestadas pelo Estado português com os voos da CIA transportando prisioneiros em território nacional, parece não ter assim tanta importância perante casos mais graves. As reformas na segurança social, a saúde, o trabalho e a educação dos portugueses foram irremediável e seriamente atacados em toda a linha. De tal forma que agora a direita e o patronato estrategicamente aplaudiram para no futuro pedirem ainda mais como já o vai fazendo o poder económico através do chamado “Compromisso Portugal” que periodicamente pressiona e faz novas e mais exigências. Daqui para a frente nada será como antes. Talvez não demore muito até que o Zé Povinho, mesmo que não percebendo as verdadeiras causas da sua situação, comece pelo menos a “torcer a orelha”. Vai ser duro a menos que a Europa dê a volta por cima e Portugal venha a beneficiar com a situação mas, o velho continente enfrenta idênticas complicações, não fosse a força do dinheiro o problema universal. Para lá das nossas fronteiras, nos países mais cultos e com maior tradição democrática resiste-se como se pode, as organizações sindicais procuram adaptar-se à globalização, em França, graças à luta nas ruas, rasgou-se o famigerado “contrato do primeiro emprego” que pretendia fazer dos jovens “carne para os canhões das empresas”. Não é por acaso também que “opinion makers” de direita e não só, de “faca nos dentes”, procurem denegrir o Estado e o modelo da sociedade francesa. Quase todos insistem em querer dizer-nos que a culpa de tudo é o Estado Social conquistado pela Europa querendo por outro lado ignorar, a concentração em poucos e à custa de muitos da riqueza mundial, à falta de gestão qualitativa das empresas, à delapidação do erário publico com a conivência dos governos, à corrupção, à fuga aos impostos das profissões liberais, aos paraísos fiscais, à falta de investimento na formação das pessoas e sobretudo à falta de investigação de como se adquire riqueza em tão pouco tempo. Pode ser que os franceses, uma vez mais, venham a ser de novo “a resistência” e ainda consigam salvar os direitos de alguns explorados e desfavorecidos e consequentemente a Europa mantenha uma politica de alguma justiça e de mínimo bem-estar. Não vai ser fácil mas não é de todo impossível. A luta deve continuar, agora mais do que nunca. Cada um de nós comece por desconfiar da informação que nos é fornecida já que o poder económico detém a generalidade da comunicação social com os seus “cães de guarda” a quem pagam para alienar e enganar. Cuidado com o pensamento único que nos estão a querer impingir.
O mundo ocidental e sobretudo, os Estados Unidos da América, depois da queda da União Soviética e do Muro de Berlim encontraram novo inimigo. O mundo árabe não obediente. O Presidente do Irão mandou o Tratado de Não Proliferação “às urtigas”. Claro que os “rapazes” não são de confiança mas, se outros podem porque não hão-de eles também poder? Faz o que eu digo, não faças o que eu faço, diz o Ocidente ao Médio Oriente, excepção para Israel, pois claro, para quem haveria de ser. Os “aliados” podem construir muros e colonatos, matar indiscriminadamente e destrur parcialmente um país vizinho como o Líbano. Quanto a negociar só em ultimo caso, só em caso de as “coisas” já não estarem a correr de feição para os nossos lados. Até lá vale tudo. George W. Bush é mais uma vez o homem do ano pelas consequências à vista de todos no Iraque. Sem solução à vista a carnificina parece não ter fim e a “procissão ainda agora vai no adro”. Umas simples caricaturas de Maomé publicadas num jornal de pouca difusão dinamarquês ou uma declaração meio escondida do Papa Bento XVI acerca de uma qualquer figura histórica contrária ao Islão, são matéria suficiente para colocar o mundo Ocidental em guerra aberta com o mundo Muçulmano. Até a história do Pai Natal já veio “à baila” para alimentar ódios. A situação é grave e o inconveniente é que só há uma terra e só se vive uma vez.
Não vamos lamentar as mortes de assassinos torcionários como Pinochet e Saddam Hussein mas vamos ter saudades de homens como Césariny e James Brown pela cultura que nos deixaram.
E ASSIM VAI O MUNDO

(Estes acontecimentos carregam sempre consigo momentos hilariantes de autentica trágico-comédia. Na SIC Noticias, o pivot João Ferreira relata às 11 horas da manhã a execução do ex-líder iraquiano. “Uma televisão iraquiana divulgou há pouco as imagens do corpo de Saddam Hussein. As imagens de fraca qualidade que mostram o corpo do ditador iraquiano coberto por um pano branco estão a ser divulgadas por todo o mundo.” Este rapazinho jornalista queria que as imagens tivessem melhor qualidade, que fossem tipo mais cinematográficas, com uma iluminação mais eficiente, captadas com várias câmaras de qualidade “broadcasting”e com som dolby.)
sexta-feira, dezembro 29, 2006
PELA CALADA

terça-feira, dezembro 26, 2006
O RELATÓRIO DE SEMPRE

Se um carro conduzido por alguém com uma certa idade percorre vários kms em contra mão numa auto estrada e provoca um acidene, para os registos da polícia ficará assinalada “manobra perigosa” e não falta de inspecção médica adequada para condutores de idade avançada.
Se um automobilista se despista em consequência do mau estado de conservação de uma estrada, também para os registos da policia ficará assinalado “acidente por excesso de velocidade” e não culpa dos responsáveis pela gestão das estradas.
Por isso não vale a pena conhecer as razões dos acidentes apresentados pelas autoridades nas alturas festivas. São sempre iguais.
quinta-feira, dezembro 21, 2006
REFORMAS A VOAR

Chegou a altura de mais uma carreira profissional ser “assaltada”. A dos pilotos da aviação civil. Fica-se com a ideia de que para o governo, estar numa qualquer repartição a carimbar documentos é rigorosamente igual a pilotar um avião de passageiros. Desde há muitos anos que as companhias aéreas pautavam a sua conduta por questões de segurança, quer na manutenção dos aviões, quer pelas exigências profissionais impostas aos seus pilotos. Hoje em dia parece que essas preocupações irão começar a ruir. Muitas companhias, especialmente as de “low cost”, quanto a matérias de manutenção deixam muito a desejar, e todas começam a impor aos seus pilotos mais horas de voo diárias com menos períodos de descanso. Mas não só, o governo parece que não teve conhecimento de um estudo recente norte-americano demonstrativo de que a maioria dos pilotos da aviação tinha um limite de vida mais curto que um cidadão normal. As razões são várias, já para não referir as de stress, prendem-se sobretudo com o facto de os pilotos estarem sujeitos diariamente a vários tipos de pressão atmosférica com resultados óbvios na sua saúde. O governo não estuda e é péssimo aluno. Tenta agora “mexer” na idade de reforma dos pilotos para mais tarde “assaltar” os operadores de tráfego aéreo
cuja a idade de reforma é aos 55 anos. Tudo vai ser alvo de tratamento igual segundo este governo muito “socialista”, pilotos, mineiros, médicos cirurgiões etc. Foi muito confrangedor ouvir o ministro Mário Lino referindo-se à greve de zelo encetada pelos pilotos dizer que, “os pilotos se querem reformar aos 60 anos para poderem depois ir voar noutras companhias.” Conversa apropriada para ouvir numa qualquer “tasca”. Um autêntico “passarão” este ministro das obras públicas e transportes.
domingo, dezembro 17, 2006
ELE NÃO SABE MAS EXISTE, INFELIZMENTE

Ficou muito surpreendido com um novo nome do léxico jurídico. Afirmou desconhecer o significado da palavra “arrolado”. Um ignorante é Presidente da Federação Portuguesa de Futebol. Procurando sempre fugir às questões mais complicadas e referentes ao Conselho de Justiça da Federação, ele próprio afirmou não ter competências para se pronunciar a propósito das mesmas. O Presidente da Federação está acima do Conselho de Justiça mas não sabe como “aquilo” funciona. O Presidente da F.P.F. é ignorante e incompetente mas tratado como Dr. Só em terra de cegos é que estes tipos detêm poder.
sábado, dezembro 09, 2006
CUIDADO COM O VENENO

"GERAÇÃO DOS RECIBOS VERDES? NÃO, OBRIGADO."
Maria Cavaco Silva acaba de se declarar do "CENTRO ESQUERDA." Há aqui qualquer coisa que não está a bater certo. É esta gente que agora luta pelos mais desfavorecidos? As voltas que a politica dá.
sexta-feira, dezembro 08, 2006
NADA É POR ACASO

Estas duas personalidades, fazem parte de um grupo cujo Mestre dá pelo nome de José Pacheco Pereira, defensor da privatização total dos órgãos de comunicação social do Estado. Na sua óptica existe sempre o perigo de os governos através de vários subterfúgios manipularem a informação dada por esses órgãos. Para eles, parece que a informação prestada pelas empresas privadas é um garante de isenção, rigor e qualidade. Nunca nos seus artigos de opinião questionaram a pressão dos grupos económicos e a defesa dos seus interesses nos media privados nem mesmo as condições de trabalho, a formação e a precariedade a que estão sujeitos os profissionais que neles trabalham. Para nosso bem e da democracia espero bem que os seus intentos nunca se venham a concretizar, felizmente que em certos aspectos faz-nos bem ser parte integrante da Comunidade Europeia onde este tipo de política por enquanto não tem pernas para andar senão, um dia destes alguma cabeça decisória deste país poria em prática este tipo de solução com graves consequências. Por enquanto vamos tendo a possibilidade, caso não nos agrade, de nós próprios mudarmos a informação da RTP de 4 em 4 anos assim como ter o direito de discutir e analisar se é ou não muito mais perigoso para a sociedade democrática e evoluída que uma “arma” tão poderosa e influente como a da comunicação social esteja à mercê sabe-se lá de quem.
Esta “guerra” entre o Sr. E.C.T., “O Publico” e a RTP já vem de longe e a mesma surge sempre nas alturas em que as televisões privadas enfrentam algumas crises em termos económicos ou de audiências sobretudo a SIC do militante numero 1 do PSD, Sr. Francisco Pinto Balsemão. Em 2001, antes da subida ao poder de Durão Barroso, a "Impresa" que detem a SIC enfrentava já uma grave crise após a saída do seu Director Geral, Emídio Rangel em consequência do sucesso alcançado sobretudo pelo canal privado concorrente TVI. Não foi por acaso que o Sr. Balsemão se empenhou na campanha eleitoral de Durão Barroso sendo até o penúltimo orador do último comício da campanha do PSD na esperança de ver o governo mudar de mãos e consequentemente mudar também a politica governativa para a comunicação social. Durão Barroso venceu e logo no início da sua acção governativa as mudanças na RTP marcaram a sua agenda politica sendo mesmo o seu principal “cavalo de batalha” como se a situação da RTP fosse o problema principal da sociedade portuguesa naquela altura. Para quem analisou mais atentamente a situação ficou sempre com uma certa suspeita de que havia uma factura a pagar pela ajuda prestada pelo “amigo” Balsemão na campanha eleitoral de Durão Barroso. Foi então que todas as “baterias” seriam apontadas para o afastamento da Direcção de informação e de programas da RTP liderada por Emídio Rangel, um perigo em termos de procura de audiências na guerra contra a SIC. Dessa campanha anti RTP faziam parte, bastará consultar-se os arquivos da imprensa da altura, os Srs. Eduardo Cintra Torres e José Manuel Fernandes. As mudanças desejadas pelo grupo foram conseguidas, o director do Público chegou mesmo a ser depois um dos novos comentadores dos telejornais da RTP e o Sr. E.C.T. para além da sua participação assídua nos debates do programa “Prós e Contras”da RTP, um dos elementos convidados por Morais Sarmento para fazer parte de uma equipa responsável pelo estudo de um projecto para o Serviço Publico de Televisão. Esta mesma comissão chegou a defender a privatização total do canal 2 da RTP só que, graças à reacção de algumas franjas intelectuais da sociedade portuguesa a juntar ao perigo que representaria para a SIC o aparecimento no mercado de mais um canal concorrencial privado de televisão, a ideia não avançou, quem sabe se não com a preocupação manifestada junto do seu lobby pelo Sr. Balsemão. Teoria da conspiração? Não acredito em bruxas mas que as há…há.
Entretanto a RTP em crise lá se foi reestruturando, rescisões de contratos com muitos dos seus profissionais mais experientes, redução de orçamentos na sua programação, alienação da sua parceria com a Sporttv e consequentemente, nos direitos de transmissão de eventos desportivos de grande audiência como mais tarde se veio confirmar no futebol da Primeira Liga, na maioria dos jogos da Liga dos Campeões, na fase final do Mundial de Futebol na Alemanha e agora recentemente na próxima época da Formula 1 e na fase final do Europeu de Futebol em 2008. Estavam criadas as condições para que a SIC aproveitasse assim também para reduzir os seus investimentos sobretudo a nível dos seus profissionais, dispensando-os e apoiando-se em estagiários e em mão-de-obra barata para além de se limitar a uma fraca produção nos seus programas, com menos lantejoulas. É claro que este tipo de politica mais tarde ou mais cedo tem custos ainda mais elevados mas em Portugal teima-se em não compreender este fenómeno sobretudo estes modernos gestores de empresas. Assim, e graças à fraca qualidade pelos serviços prestados pelas estações privadas, a RTP degrau a degrau voltou entretanto a subir sem recorrer no seu “prime time” a uma programação “pimba” e, para espanto de todos, o seu Telejornal passou a ser líder de audiências. Consequências, “ai meu Deus o que é isto” e lá voltaram os artigos de opinião contra a RTP do Sr. Eduardo Cintra Torres e as preocupações manifestadas pelo seu director em relação à deliberação tomada pela Entidade Reguladora da Comunicação Social.
O que o publico precisa é que os jornalistas e os chamados líderes de opinião informem e critiquem com senso, imparcialidade, verdade e honestidade tal como define o seu dever deontológico caso contrário, seria bem melhor para todos nós que se dedicassem a outro tipo de actividade.
A nível de informação o panorama nacional é bastante fraco e preocupante. Tudo é feito na defesa de interesses obscuros para além da pouca qualidade informativa patenteada por todos os órgãos de informação em Portugal quer sejam eles do Estado ou não. Era bom que os críticos de televisão escrevessem mais no sentido de nós percebermos porque é que os responsáveis dos blocos informativos das nossas estações de televisão, por exemplo, não abrem os seus noticiários mais importantes das estações quando na Índia ou em Bagdad acontecem atentados que vitimam cerca de 200 pessoas ao contrário do que fariam se tal sucedesse aqui na vizinha Espanha. Porque é lá longe? E se fosse em S. Francisco? Porque as 200 pessoas que morrem na Europa ou nos Estados Unidos são mais importantes que 200 indianos ou iraquianos? Compreende-se que não consigam ser honestos porque a honestidade dificilmente enriquece alguém mas tentem pelo menos ser um pouco mais sérios.